Para falarmos da inclusão educacional, temos que abordar primeiro à questão da inclusão social, ou seja, o processo de tornar a sociedade mais humana, vista como um todo, incluindo todos os aspectos e diferenças da vida. O econômico, o cultural, o político, o físico e todos os demais.

 

Assim, a inclusão social se apresenta como um processo de atitudes afirmativas, no sentido de inserir a realidade social, todos aqueles grupos abastados historicamente.

 

Uma das novas dimensões do processo de inclusão social é a inclusão escolar – conjunto de políticas públicas e privadas que leva a escolarização a todos os segmentos humanos da sociedade –, dando ênfase a infância e juventude.

 

Portanto, a inclusão educacional é uma inovação, possuindo um processo abrangente, cujo sentido tem sido muito distorcido é uma questão muito polêmica pelos mais diferentes segmentos sociais. No entanto, inserir alunos com déficits de toda ordem, permanentes ou temporários no ensino regular comum, nada mais é do que garantir o direito de todos à educação – segundo a Constituição de 1988.

 

Como Surge a Inclusão nas Escolas

 

Desde o fim da década de 80, mais efetivamente no princípio dos anos 90, surge no contexto internacional um movimento materializado por profissionais, pais e pessoas com deficiência que lutavam contra a idéia de que a educação especial, estivera enclausurada em um mundo à parte, dedicado a atenção de reduzida proporção de alunos qualificados como deficientes.

 

Aparece então nos Estados Unidos o denominado “Regular Education Iniciative” (REI), no qual o objetivo era a inclusão dentro da escola comum das crianças com alguma deficiência.

 

Os trabalhos de seus principais expoentes, os educadores Stainback & Stainback (1986) e  Wang & Walberg (1987), delineavam a necessidade de unificar e socializar a educação especial e a regular num único sistema educativo, criticando a ineficiência da educação especial. Aparecia assim, pela primeira vez, uma defesa importante de unificação do sistema educativo, transformando-o para todos.

 

O REI lutava pela reestruturação da educação especial, pelo desaparecimento da educação compensatória e pela recuperação em que tantos alunos estavam imersos.

 

Mais tarde, teríamos a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, de 1994, em Salamanca (Espanha). Na conferência participaram noventa e dois governos e vinte cinco organizações internacionais, que reconheceram a necessidade e a urgência de que o ensino chegasse a todas as crianças com necessidades educacionais especiais, de início no âmbito da escola regular.

 

Com este fim, os  especialistas estabeleceram um plano de ação cujo princípio básico mostrava que as escolas deveriam acolher a todas as crianças, independente de suas condições físicas, intelectuais, econômicas, sociais, culturais e lingüísticas. A partir disso, as escolas se encontram frente ao desafio de desenvolver um método capaz de educar com êxito a todas as crianças. Além disso, as escolas devem ser comunidades que atendam a todos (Escola Para Todos).

 

Nessa perspectiva, foi  firmado as seguintes recomendações:

 

·                    Todas as crianças têm direito à educação e deve-se dar a elas a oportunidade de alcançar e manter um nível  aceitável de conhecimentos;

 

·                    Cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que lhe são próprias;

 

·                    Os sistemas de ensino devem ser organizados e os programas aplicados de modo que tenham em conta todas as diferentes características e necessidades;

 

·                    As pessoas com necessidades educacionais especiais devem ter acesso às escolas comuns; e

 

·                    As escolas comuns devem representar um meio mais eficaz para combater as atitudes discriminatórias, criar comunidades acolhedoras, construir uma sociedade integradora e alcançar a educação a todos.

 

A Declaração estabelece um decálogo de recomendações que “deveriam” ser desenvolvidas por todos os países.

 

Educação Atual: Problemas, Contradições e Mudanças

 

A problemática da não efetivação da educação inclusiva no Brasil é claramente, devido a questões atuais no ensino regular do país.

 

O governo – em sua esfera municipal, estadual e federal – não trabalha efetivamente para contribuir com a inclusão. Apenas auxiliam a sociedade abandonada pelo sistema, mas não erradica com a questão principal.

 

Formada em História e Pedagogia pela UniSantos, Sonia Serafim (51), ligada a rede estadual de ensino há 20 anos, atuando em diversas escolas de nossa região, pode observar  “grandes falhas no ensino” , ou seja, diversos problemas do nosso cotidiano moderno.

 

Segundo a pedagoga, a inclusão nada mais é que o resultado da soma de oportunidades bem sucedidas,  por isso, deveria ocorrer como consequência de um ensino de qualidade para todos.

 

Provocando e exigindo da escola novos posicionamentos, que é também um “motivo” a mais para que o ensino se modernize e para que o governo ofereça aos professores a possibilidade de aperfeiçoamento de suas práticas. “Seria uma inovação, que implicaria num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais na maioria de nossas escolas”, acredita Sonia.

 

O motivo que sustenta a luta pela inclusão educacional como uma nova perspectiva para as pessoas com deficiência, é sem dúvida, a qualidade de ensino nas escolas públicas e privadas. De modo que se tornem aptas para responder às necessidades de cada um de seus alunos, de acordo com suas especificidades, sem cair no conceito de educação especial e suas modalidades de falsa inclusão, ou mesmo, exclusão.

 

Contudo, Sonia afirma que o sucesso da inclusão com alunos especiais na escola regular, decorre da orientação de métodos educacionais, por meio da adequação das práticas pedagógicas à diversidade dos aprendizes. “Só se conseguirá atingir esse sucesso, quando a escola assumir que as dificuldades de alguns alunos, não são apenas deles, mas resultam em grande parte do modo como o ensino é ministrado. A aprendizagem é concebida e avaliada, pois não apenas os deficientes são excluídos, mais também os que são de baixa renda, os que trabalham e assim não vão às aulas regularmente, os que pertencem a grupos discriminados (negros e índios), fora os que abandonam o estudo, por tanto repetir”, diz a pedagoga.

 

Priorizar a qualidade do ensino regular é um desafio que precisa ser assumido por todos os educadores e a sociedade de um modo em geral, crê Sonia.

 

- É um compromisso inadiável das escolas, já que a educação básica é um dos fatores do desenvolvimento econômico-social. Trata-se de uma tarefa possível de ser realizada, mas que só irá se efetivar com a participação e o compromisso de todos: governo, escola e sociedade -.

 

A pedagoga acredita que é preciso mudar a escola e o ensino nela ministrado. “A escola aberta para todos é a grande meta e, ao mesmo tempo, o grande problema da educação atualmente. Mudar a escola é enfrentar uma tarefa que exige trabalho”.

 

Sonia se baseia em seu próprio estudo, que vem sendo elaborado nos últimos três anos. Ela enfatiza a urgência de algumas ações para melhoria da qualidade de ensino, e consequentemente,  promover a inclusão:

 

·                    A aprendizagem, porque escola foi feita para fazer com que todos os alunos aprendam;

 

·                    Garantir que todos possam aprender a seu tempo;

 

·                    Abrir espaços para a cooperação, o diálogo, a solidariedade, a criatividade e o espírito crítico, que de fato ocorram nas escolas, entre alunos e professores, ou seja, a participação de toda a comunidade escolar;

 

·                    Estimular e valorizar a formação e a capacitação continua do professor.

 

Hoje, a escola é para a maioria das crianças brasileiras, o único espaço de acesso aos conhecimentos gerais, é  o lugar que vai lhes proporcionar condições de se tornar um cidadão, ou seja, o seu segundo lar.

 

Melhorar as condições da escola é formar gerações mais capacitadas para viver a vida cotidiana. Preparando-os para o futuro para que as crianças tenham condições de conviver e aprender a valorizar a diversidade em todos os aspectos de sua vida.

           

Sonia reitera, “a inclusão educacional remete a escola questões de estrutura e de funcionamento, que subvertem paradigmas, que implicam em um redimensionamento de seu papel, para um mundo que evolui rapidamente”.

           

Possuindo uma linha de raciocínio inclusivo, Sonia conclui a entrevista com uma palavra chave: conscientização. É com ela que a sociedade irá crescer intelectualmente e assim, aplicar medidas evolutivas. Obtendo no futuro a tal mencionada inclusão educacional.

 

A psicóloga , Tatiana Almeida (31), compartilha do mesmo raciocínio da pedagoga, e vai além, afirmando a necessidade de tratar (melhorar) o sistema de ensino, a conscientização da sociedade e a cabeça dos jovens.

 

– Semear a inclusão nas escolas depende da educação socializada num todo. A filosofia da inclusão defende uma educação eficaz para todos, sustentada em que as escolas, enquanto comunidades, devem satisfazer as necessidades de todos os alunos, sejam quais forem as suas características pessoais, psicológicas ou sociais (com independência de ter ou não deficiência). É claro, é importante também tratar da cabeça deste jovem – afirma a psicóloga.

           

Ela acredita que se trata de estabelecer “alicerces”, para que a escola possa educar com êxito a diversidade de seu conjunto de estudantes e assim colaborar com a erradicação da ampla desigualdade e injustiça social. “Dessa maneira, a educação inclusiva enfatiza a necessidade de avançar até outras formas de atuação, em contraposições às práticas que têm caracterizado a integração escolar”, afirma Tatiana.

 

- Podemos observar que os educadores que têm se arriscado a educar com êxito os alunos com deficiência, sabem e argumentam que esses alunos são um novo aprendizado aos próprios professores -, define Tatiana Almeida.

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